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Anvisa decide banir gordura trans em produtos industrializados até 2023

O objetivo é reduzir o consumo desse tipo de gordura, considerado nocivo à saúde por favorecer o surgimento de problemas cardiovasculares, como o entupimento de artérias que irrigam o coração, aumentando o risco de morte por essas doenças.

Mas afinal, qual é o grande problema em consumir?

Nas últimas décadas, inúmeros estudos clínicos acerca da gorduras trans têm mostrado que pessoas que se alimentam com gorduras trans apresentam fatores de risco para doenças cardíacas como colesterol alto.

De acordo com estes estudos, a ingestão de gordura trans aumenta significativamente o LDL (o colesterol prejudicial), mas não aumenta o HDL (o “bom” colesterol), ao contrário do que ocorre com a maioria das outras gorduras, que tendem a aumentar tanto o LDL quanto o HDL.

pizza congelada: a conveniência que não vale a pena

Pesquisas também mostraram que as gorduras trans podem danificar o revestimento interno dos vasos sanguíneos, causando uma condição conhecida como disfunção endotelial.

No entanto, médicos acreditam que a ingestão de alimentos com gordura trans vai além de fatores de risco apenas, há também muitos estudos observacionais que ligam as gorduras trans a um risco aumentado de várias doenças do coração e a um aumento dos processos inflamatórios, especialmente em pessoas que estão com sobrepeso ou obesos.

E o que é a gordura trans?

A gordura trans ou hidrogenada foi desenvolvida pela indústria para dar aos alimentos mais durabilidade, impedindo que estraguem facilmente quando deixados sem refrigeração. O processo também transforma o estado da gordura em semissólido, impedindo que os alimentos percam consistência quando deixados em temperatura ambiente.

A gordura hidrogenada é muito mais barata do que a manteiga, a banha ou outras gorduras e demora muito mais para ficar rançosa, tornando-a o óleo de fritura favorito dos restaurantes.

O problema é que todas estas vantagens para a indústria custam muito para a saúde das pessoas que consomem os alimentos com gordura trans. Este tipo de gordura é muito difícil de ser processada pelo nosso organismo e por isso se acumula elevando os níveis de colesterol LDL, nocivo para a saúde.

Por favor, não confunda a gordura trans com a gordura natural dos alimentos como omega 3 e outras como as presentes em manteigas, abacate, castanhas e outras. Sem terrorismo nutricional com aquilo que é natural. Estamos falando aqui de alimentos industrializados.

As gorduras trans podem ser encontradas em muitos alimentos processados industrialmente, incluindo alimentos fritos e produtos assados como bolos, massas de tortas, biscoitos, pizzas congeladas, sorvetes, coberturas, biscoitos de água e sal e recheados, margarinas, iogurtes e patês.

15 alimentos que possuem gordura trans

  1. Frituras: O óleo parcialmente hidrogenado dura mais tempo sem ficar ranço, por isso é o preferido de muitos restaurantes e marcas de salgadinhos industrializados e congelados. A maioria dos restaurantes de redes franqueadas usa gordura trans no preparo dos seus hambúrgueres e batatas fritas;
  2. Comida pronta congelada: A gordura trans é usada em molhos, carnes, temperos, sopas, ensopados e massas para serem congelados porque ajuda na conservação e na manutenção do sabor dos alimentos por mais tempo;
  3. Margarina: A margarina é basicamente o óleo vegetal que foi convertido em um sólido através da hidrogenação, portanto todas as margarinas são alimentos com gordura trans.
  4. Óleos vegetais: Um estudo norte-americano analisou diferentes marcas de óleos de soja e canola vendidos em supermercados e descobriram que de meio a mais de 4% das gorduras encontradas em todas as marcas eram gorduras trans. Nenhuma das marcas, entretanto, trazia qualquer indicação na embalagem da presença deste tipo de gordura;
  5. Sorvetes: Alguns sabores de sorvete, incluindo nozes, café, passas ao rum, chá verde e até mesmo baunilha contêm meio gramas de gordura trans por porção. Mas nem sempre isto está expresso na lista de ingredientes. Isso pode acontecer porque produtos lácteos podem conter pequenas concentrações de gorduras trans ou porque não há controle do uso deste tipo de gordura por este segmento da indústria alimentícia;
  6. Balas e chicletes recheados: Geralmente cada unidade de bala ou chiclete recheado contém meio grama de gordura trans;
  7. Gordura Vegetal: A gordura vegetal foi criada para substituir a gordura animal na indústria de alimentos, mas não se contava com os malefícios à saúde que ela pudesse trazer. Várias marcas de gordura vegetal são comercializadas livremente nos supermercados sem que haja menção dos seus malefícios;
  8. Misturas prontas para bolos e bolachas: As gorduras trans garantem a textura leve e a durabilidade dos preparos para panquecas, bolos, bolachas e pudins que encontramos nas prateleiras dos supermercados, mas é preciso saber que cada porção destas misturas possui, em média, 1,5 gramas de gordura trans, o que torna suas calorias vazias ainda menos desejáveis para uma dieta saudável;
  9. Pizzas congeladas: Pizzas congeladas são o maior exemplo de quando a conveniência não vale o dano. Com cerca de um grama de gordura trans por fatia, elas dependem de gordura trans para manter a massa crocante e a textura do recheio;
  10. Macarrão semipronto (miojo): Todos os tipos de macarrão semipronto, vendido em pacotinhos com porções individuais ou em copos de sopa para micro-ondas, são alimentos com gordura trans previamente fritos nesta para conservação. Cada meio copo dessas delícias contém em média 1,5 gramas de gordura trans. O tempero em pó que acompanha os pacotes de macarrão também são carregados de gordura trans usado como conservante e para realçar o sabor;
  11. Iogurtes e pudins embalados: As gorduras trans ocorrem naturalmente em gorduras de origem animal, porém, em pequenas quantidades. Os iogurtes e pudins industrializados, no entanto, mesmo que feitos com leite desnatado, estão longe de serem saudáveis pois são alimentos com gordura trans na calda e nas frutas que trazem. Não são todos os iogurtes que têm gorduras trans, apenas fique atento na hora de comprar;
  12. Pipoca de micro-ondas: O sabor de manteiga da pipoca de micro-ondas não passa de óleo hidrogenado com aroma artificial, o que adiciona 15 gramas de gordura trans a cada saco de pipoca. Não são todas as pipocas que têm gorduras trans, apenas fique atento na hora de comprar;
  13. Biscoitos recheados: A fim de manter os bicoitos e o recheio na prateleira por tanto tempo sem estragar e sem que fiquem rançosos, a estratégia é utilizar óleos parcialmente hidrogenados. Eles são mais baratos e garantem sabor e vida muito mais longa a alimentos que seriam rapidamente deteriorados fora da geladeira;
  14. Biscoitos salgados e de água e sal: Biscoitos não poderiam durar nas prateleiras ou nas despensas das nossas casas se não fossem alimentos com gordura trans. Ela os mantém frescos como se tivessem sido produzidos no dia anterior;
  15. Achocolatados e vitaminas prontas: Se você já se perguntou como é possível um produto à base de leite permanecer tanto tempo sem refrigeração e não estragar, encontrou a resposta: eles são alimentos com gordura trans. Este ingrediente é um dos principais conservantes e espessante destes produtos. Meio litro de achocolatado pode conter de 9 a 15 gramas de gordura trans.
 A maioria dos fast foods usa gordura trans no preparo dos seus hambúrgueres e batatas fritas

Como vai funcionar a partir de agora?

O banimento da gordura trans até 2023, em produtos industrializados, vai acontecer por fases de implementação. A primeira fase é focada na imposição de limites de gorduras trans industriais na produção de óleos refinados, limitando a 2% sua presença nesses produtos.

As gorduras trans industriais em óleos refinados são produzidas em função do tratamento térmico aplicado durante a etapa de desodorização (eliminação de odores desagradáveis). O prazo para adequação é de cerca de 18 meses. Portanto, a restrição passará a vigorar a partir de 1º de julho de 2021.

Nessa mesma data, entrará em vigor a fase de restrição de gordura trans industrial para os demais alimentos, com a adoção do mesmo limite de 2% de gorduras trans industriais do total de gordura presente nos alimentos em geral, industrializados e comercializados no varejo e atacado.

Dessa forma, a norma ampliará a proteção à saúde, alcançando os produtos destinados à venda direta aos consumidores e ofertados nos serviços de alimentação. Essa restrição vai vigorar entre 1º de julho de 2021 e 1º de janeiro de 2023.

Apesar dessa restrição terminar em 2023, você já sabe hoje, em 2019, que esses produtos não fazem bem para a sua saúde e já pode começar a pensar em tirá-los da sua listinha de supermercado.

Que tal um post com dicas de substituições para cada um desses 15 alimentos?

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